Qual é o coletivo de pensamentos?  

Posted by Tiago Cavalcante

“Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és.
Saiba eu com que te ocupas e saberei também no que te poderás tornar”

- Johann Wolfgang von Goethe
Egrégora. Do grego “egregoroi”, do latim “gregariu”, do celta “egregor”, do francês “égrégor”, do alemão “eggregore”, do finlandês “egregoi”…
O senhor está acompanhando, seu zero-cinco?
Comecei este texto com uma brincadeira com o filme “Tropa de Elite” porque ele exemplifica bem o que é uma egrégora. Tanto o treinamento realizado pelos soldados do verdadeiro Bope quanto a capacidade que o filme teve de mexer com o inconsciente coletivo aqui no Brasil.
Mas… o que é uma Egrégora?
Uma Egrégora representa o conjunto de formas-pensamento de duas ou mais pessoas, voltado para uma determinada finalidade. O conhecimento a respeito de Egrégoras talvez seja uma das coisas mais importantes dentro do ocultismo. A Egrégora forma o coração e o espírito de todas as Ordens Iniciáticas e profanas. É ela quem protege e auxilia os magistas em seus trabalhos.
Mas vamos por partes.
Em primeiro lugar: o que vem a ser uma “forma-pensamento”?
Conforme eu havia explicado anteriormente, existem dimensões físicas fora do que chamamos “plano material”, que os ocultistas dominam há séculos mas que os cientistas ortodoxos ainda estão engatinhando em suas experiências. Nestas outras faixas vibratórias residem os pensamentos, emoções e conceitos, além dos chamados “fantasmas” ou “espíritos”. O plano sutil mais próximo do Plano Material é o Plano Astral.
Eu já comecei a falar sobre o Plano Astral nas postagens anteriores, mas como este assunto é demasiadamente extenso, com certeza voltaremos a ele ainda muitas vezes nas proximas colunas.
Por estarmos mergulhados neste oceano de vibrações eletromagnéticas sutis, nossos corpos de carne (que, como demonstrei na matéria sobre os Chakras, são verdadeiras transmissores e receptores eletromagnéticos) estão constantemente em ressonância com estas vibrações externas que se manifestam ao nosso redor.
Colocando em palavras mais simples: pensamentos, emoções e intenções são capazes de afetar diretamente as pessoas através destas ressonâncias. Podemos fazer uma analogia dos seres humanos como transmissores/receptores eletromagnéticos, cujos pensamentos afetam e são afetados pelo ambiente que nos cerca.
Podemos emitir determinadas vibrações através da vontade e do pensamento, mas também estamos sujeitos a receber e absorver emanações que estejam ao nosso redor.
Da mesma maneira que podemos interagir com o mundo físico através dos nossos sentidos objetivos (segurando uma caneta com nossas mãos, por exemplo), todos nós somos capazes de interagir e realizar ações no Plano Astral.
Para entender melhor, vamos fazer um exercício simples de visualização: Imagine uma taça de vinho tinto repousando ao lado do teclado. Mas não “pense” na taça… “visualize” esta taça… relaxe… respire calmamente, concentre sua mente e veja todos os detalhes da textura do vidro, a cor, o brilho, a transparência do copo, o reflexo da luz, a cor característica do vinho, imagine o cheiro delicioso… afaste todos os outros pensamentos e concentre-se apenas nessa taça. Imagine sua mão pegando esta taça, o aspecto liso e frio do vidro em contato com seus dedos, o líquido mexendo dentro da taça enquanto você a ergue no ar. Observe o vinho contra a luz… Dê um gole imaginário nesta taça e sinta o gosto do vinho na sua boca, o sabor adocicado enquanto o líquido preenche sua boca e o cheiro do bouquet invade suas narinas… se você fez direitinho, pode até mesmo estar com água na boca neste momento. E, durante um curto espaço de tempo, você acaba de criar uma forma-pensamento. Basta que, nesse momento, TODA a sua concentração estivesse voltada para esta criação.
Ocultismo magia egregoras Chakras  Qual é o coletivo de pensamentos?
Esta taça de vinho que você acaba de criar é tão sólida quanto qualquer objeto “real”, apenas existe em outra dimensão mais sutil e, portanto, a princípio, não interage com o plano físico. Em alguns instantes, ela será dissolvida e retornará ao que chamamos de “fluído astral”. Dependendo da emoção e da quantidade de tempo que você se dedicar a esta construção astral, ela acaba se cristalizando e passa a ficar ali, diante do computador, no exato local onde você a visualizou.
Saber como trabalhar estas construções astrais é algo importantíssimo, pois delas dependem os círculos de proteção, os rituais de banimento e de conjuração, gárgulas, templos astrais, defesas psíquicas, proteção contra vampiros energéticos e um campo aberto para facilitar suas projeções. Por esta razão, os exercícios de visualização e concentração que eu passei precisam estar dominados. A imaginação e a visualização devem fazer parte do arsenal básico de qualquer estudante de ocultismo.
Já uma egrégora é o conjunto de formas-pensamento criadas por um grupo, com uma mesma finalidade. Como disse aquele mago famoso da bíblia, “Onde dois ou mais se reunirem em meu nome, eu estarei entre eles”. Ou seja: quando duas ou mais pessoas se reúnem ao redor de um único objetivo, estas formas-pensamento se somam e geram algo maior, mais dinâmico. E quanto mais concentrados, intensos e constantes forem estes pensamentos, maior o campo de atuação desta egrégora. Aqui está o segredo e a base da Ritualística, ou seja, da repetição.
Aliás, a título de curiosidade, “ritual” vem do grego “Arithmos” (Número) da qual surge também a palavra “Aritmética” e “ritmo”, mostrando que matemática, música e magia sempre andaram de mãos dadas.
Para tentar explicar melhor o que seria “poluição mental” em contraparte a “egrégora”, tomemos estes dois desenhos. O primeiro mostra uma reunião de profanos/adormecidos, no qual cada um está tentando colaborar em uma reunião. Por mais interessados que estejam, a falta de disciplina e concentração faz com que a mente objetiva fique divagando entre problemas alheios ao grupo ao invés de dar vazão à mente intuitiva, ou superior.
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Já em uma reunião onde se tenha estabelecido uma Egrégora (normalmente através de uma ritualística), todos os envolvidos estão empenhados em realizar um trabalho justo e perfeito e suas mentes fluem como uma única potência.
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Quanto mais se repete a ritualística, maior e mais forte é a Egrégora; Quanto mais concentração se coloca nos pensamentos, maior e mais forte é a Egrégora; quanto mais emoção se coloca nesta ritualística, mais forte é a Egrégora. Em algum tempo, este verdadeiro colosso de energia mental/emocional/espiritual adquire “vida própria” e passa a auxiliar a causa para qual aquele grupo trabalha.
É bom notar que não apenas pessoas no Plano Material colaboram com a Egrégora, mas também as Pessoas que estiverem no Plano Astral (é extremamente comum que antigos mestres que já faleceram continuem a participar de reuniões dentro das ordens e instituições que faziam parte).
Por causa da Egrégora, Grupos Iniciáticos costumam se reunir sempre nos mesmos dias e horários da semana. Desta maneira, mesmo se um membro não puder comparecer, ele pode emanar pensamentos para colaborar na Grande Obra. O simples fato dele se posicionar mentalmente dentro do templo durante o período de trabalho já o coloca em sintonia com a egrégora que estiver ativada.
Abrindo e Fechando as Egrégoras
Muita gente sempre me pergunta como é que eu consigo fazer parte de uma dúzia de ordens iniciáticas sem ficar louco. A resposta para isso é simples: todo trabalho e operação ocultista é composta de três partes: a “Abertura dos Trabalhos”, o “Trabalho” e o “Fechamento dos Trabalhos”.
Fazendo uma analogia, pode-se imaginar a egrégora como sendo uma piscina (ou lago, ou mar, dependendo da egrégora). Quando vou nadar, eu me aproximo da piscina, retiro minhas roupas profanas, coloco paramentos adequados (shorts, maiôs, sungas, biquínis, pés de pato, snorquels, prancha de surf, bóias, etc… ), passo meu protetor solar e somente depois de todo o “ritual” é que estou preparado para nadar. Da mesma forma, quando saio da piscina, eu me enxugo, tiro a água do corpo, limpo o protetor solar, tomo um banho, visto minhas roupas e somente depois volto ao mundo profano. Ninguém entra na água de terno e gravata nem sai por ai andando de maiô no meio da avenida Paulista. Fazendo os trabalhos de abertura e fechamento de Egrégora corretamente, é possível freqüentar palestras na Rosacruz Áurea na quarta-feira, realizar um Esbath Wiccan na quinta-feira, visitar um Terreiro de Umbanda na sexta feira, participar de um ritual budista no sábado, de uma missa cátara/templária no domingo e de uma loja maçônica na segunda-feira sem ficar maluco. E, antes que alguém pergunte, este exemplo NÃO foi hipotético…
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E esta ritualística de abrir e fechar egrégoras se repete em absolutamente todos os lugares: desde os maçons, rosacruzes e demolays que se paramentam para seus trabalhos até patricinhas e dançarinas de bailes funk que se vestem e se maquiam antes de sair para a balada, passando por médicos, bombeiros, policiais, professores, cientistas, trabalhadores que “batem cartão”, padres com suas batinas rezando uma missa, pais-de-santo com suas roupas brancas, médiuns kardecistas com seus aventais, sacerdotes e sacerdotisas wiccans com seus mantos (ou sem roupas), torcedores de times de futebol que vestem a camisa de sua torcida antes de irem ao jogo, lutadores que vestem seus kimonos antes de praticarem seus treinos e assim por diante. TUDO o que envolver estar “no mundo profano”, uma transição para um ato e um posterior retorno ao mundo profano está ligado diretamente a uma Egrégora. Assistir passivamente uma novela é pertencer a uma egrégora. O problema é selecionar quais delas você quer participar…
E qual a importância de fechar uma Egrégora?
Quando você abre os trabalhos em uma Egrégora, você se coloca em um estado mental compatível com as vibrações desta egrégora. Quando você retorna ao mundo exterior sem fechar os trabalhos, a egrégora continua exercendo influência sobre as suas ações e pensamentos. O problema com isso é que, dependendo do tipo e poder desta egrégora, a pessoa acaba sendo literalmente DOMINADA por estes pensamentos e emoções.
Vou dar alguns exemplos simples, mas bastante importantes:
Todo mundo deve conhecer pessoas que gostam de, no domingo, vestir a camisa do seu time, sentar na frente da TV, assistir uma partida de futebol e depois voltar aos seus afazeres normais. Times de futebol são egrégoras. Uma partida de futebol é um ritual de confronto entre duas egrégoras adversárias. Ao final dos “trabalhos”, os obreiros (torcedores) retornam às suas vidas normais, fechando as portas destas egrégoras. Por outro lado, todo mundo deve conhecer pessoas que não são capazes de se desligar disso, tornando-se literalmente escravas de seus times. Tatuam o símbolo do time no próprio corpo, agridem pessoas de outras egrégoras, gastam tempo e energia propagando ódio em emails, piadas, xingamentos, brigas e discussões com pessoas ligadas a outros times, passam a semana inteira gastando horas de pensamento preocupadas se o time está na zona de rebaixamento ou não ao invés de tomarem o controle das suas próprias vidas. Em pouco tempo, a vida desta pessoa está completamente dominada por esta egrégora. Um perfeito zumbi.
Vemos casos como este todos os dias nos noticiários.
Ocultismo magia egregoras Chakras  Qual é o coletivo de pensamentos?
Aliás, times de futebol são exemplos maravilhosos de egrégoras e do controle que elas podem exercer sobre as criaturas. Quando as pessoas se conectam a estas egrégoras, seus corpos se tornam unos com a idéia; alguns chegam até mesmo a morrer de ataques cardíacos durante finais de campeonato. Só quem já esteve em um estádio de futebol sabe o que é sentir esta energia fluindo e como a torcida faz diferença em uma partida de futebol.
Uma egrégora PODE fazer um jogador se contundir no meio da partida, errar um pênalti ou acertar um chute impossível… a egrégora influencia, mas não decide. Como disse certa vez o comentarista João Saldanha: “Se macumba ganhasse jogo, campeonato baiano terminava sempre empatado”.
Outro exemplo interessante são os fumantes: a egrégora do cigarro é absurdamente poderosa. Quando alguém pensa em abandoná-la, ela toma providencias para manter a mente da pessoa acorrentada. Some-se isso ao fato de que, cada vez que se acende um cigarro, alguma entidade astral “gruda” na pessoa para usufruir desta energia e com isto temos uma explicação muito precisa do por quê é tão difícil largar o vício.
Por outro lado, pode-se combater uma egrégora com outra egrégora. Quando um alcoólatra passa a freqüentar uma AA, ele passa a se conectar com OUTRA egrégora, que por sua vez é antagônica à egrégora da bebida. Uma pessoa que esteja ligada à AA possui MUITO mais chances de abandonar e vencer um vício do que uma pessoa que está tentando sozinha, pois sua força de vontade passa a ser acrescida do poder desta outra egrégora.
Mas, independente da guerra astral que está sendo travada, o ser humano vai ter a última palavra. Lembram que eu falei ali em cima que nosso corpo é um transmissor/receptor eletromagnético? Pois bem… serão as atitudes da pessoa que permitirão a influência da egrégora X ou Y, que determinarão se ela conseguirá sobrepujar o vício ou não. Existe uma máxima ocultista que diz “É impossível ajudar quem não quer ser ajudado” ou ainda “Não entregue pérolas aos porcos”. 
Se o nível mental da pessoa é baixo, ela vai ser dominada por toda a sua vida.
E claro que as “otoridades” sabem disso. Aliás, acham isto maravilhoso. As grandes companhias adoram estes conceitos. Os clientes vestindo suas marcas e repetindo seus slogans como se fossem bordões. As religiões caça-níqueis AMAM estes conceitos, e pode apostar que elas utilizam-se de todos eles para manter seus fiéis aprisionados.
Aprendendo a fechar as Egrégoras
Como vocês podem estar imaginando, a partir do momento que se tem consciência de como estas energias funcionam, torna-se simples. “Um horário para cada coisa e cada coisa no seu horário e local”. Sabendo trabalhar estas energias mentais, você perceberá que seus trabalhos renderão mais e seu nível de stress diminuirá consideravelmente.
Acostume-se a limitar os seus horários de trabalho. Quando estiver no seu horário de lazer, não pense no trabalho; quando estiver no trabalho, não pense no seu lazer. Concentre-se APENAS no que estiver fazendo, e faça direito.
Qual a relação de um iniciado com uma egrégora?
Muita gente se pergunta o que representa ser um iniciado. Um iniciado é alguém que foi ACOLHIDO por uma egrégora. Quando eu falo em uma Iniciação dentro da pirâmide ou de um círculo de pedra, ou de um batismo, quero dizer que o iniciado está entrando em contato com as chaves astrais que vão permitir a ele acessar estas egrégoras mais poderosas.
Ocultismo magia egregoras Chakras  Qual é o coletivo de pensamentos?
Em um momento de dificuldade, o iniciado pode resgatar energias desta reserva para auxiliá-lo no que precisar (e estiver de acordo com os preceitos da egrégora, claro).
Até as próximas postagens…
Enquanto isso, medite na pergunta abaixo:
Você é mesmo dono dos seus pensamentos?
Ou alguém está pensando por você?

Bruxaria, Paganismo e Magia Sexual  

Posted by Tiago Cavalcante

falamos sobre as origens da magia sexual, os Ritos na Suméria, o Hieros Gamos egípcio, as três principais divisões dos estudos iniciáticos e de como a Santa Igreja adora pegar expressões sagradas das outras religiões e transformar em palavras sujas. Hoje vamos continuar nosso passeio através da história da magia sexual, de Roma até os dias de hoje. Vou seguir com a narrativa por três pontos de vista diferentes: o masculino, do Templo Solar, que regeu basicamente os exércitos e guerreiros, o feminino, doTemplo Lunar, que coordenava as sacerdotisas, e as Fraternidades Mistas, que formavam a maioria dos grupos envolvidos nas festividades pagãs do Hieros Gamos. 


Prostitutas Sagradas

Voltando um pouco na nossa narrativa, ainda na Babilônia, o culto a Ishtar era famoso pelos templos dedicados a Inanna Ishtar (ou Astarte), a grande deusa da Babilônia. Nestes templos, ficavam as mais sagradas das sacerdotisas, dedicadas à deusa do amor e da sexualidade. O nome Prostituta vem de “Aquelas que se prostram (diante de Ishtar)” ou “Aquelas que se expõem”.
rituais paganismo Ocultismo magia sexual kundalini Chakras Bruxaria  Bruxaria, Paganismo e Magia Sexual – parte II
Nestes templos, as “Ishtartu” ou “Damas dos prazeres” tinham o domínio sobre sua sexualidade, oferecendo-se para estranhos em troca de donativos para o templo, em rituais de adoração a Ishtar. Mulheres que desejavam se casar, para obter as bênçãos de fertilidade da deusa, precisavam passar um período de sete dias na porta do templo para obter dinheiro suficiente para a doação, no chamado “dote”. Este ritual pré-nupcial era chamado “Fornicatio”, de onde surgiu mais tarde a palavra “fornicação”, tão odiada pelos fundamentalistas. O local onde ocorriam estas negociações era chamado de “Fornix” (Câmaras Arqueadas – ver imagem acima – mais tarde “Fornix” se tornaria sinônimo de bordel). Durante este tempo, recebiam instruções das sacerdotisas nas artes de amar e de agradar aos homens.
Muitas famílias nobres enviavam suas filhas para servirem como Harlots (o termo em inglês hoje em dia é utilizado com o sentido de prostituta, sem tradução para o português) por anos. A Harlot entrava em um templo como uma Virgem Vestal e sacrificava sua virgindade ritualisticamente para o sacerdote que a iniciaria nos mistérios do Hieros Gamos. Esta primeira relação era muito importante pois o sacrifício de sangue para Ishtar marcava a iniciação destas sacerdotisas e era algo considerado muito sério e muito importante (até os dias de hoje, dentro de algumas Ordens Invisíveis). O linho na qual ficavam as manchas de sangue era queimado e dedicado às deusas, consagrado em uma grande festa de acolhida.
Mais tarde, de uma maneira completamente deturpada pelos profanos, isto acabaria dando origem a dois costumes medievais: a “Prima Noche”, na qual o Senhor Feudal requisitava o direito de transar com qualquer mulher que fosse se casar e a exibição do lençol sujo de sangue como “prova” da virgindade da “mercadoria” com a qual o nobre havia se casado.
Outra curiosidade era que, se a garota não havia “dedicado” sua virgindade à deusa Ishtar, e transado sem as devidas ritualísticas (ou seja, fora do templo de Innana/Ishtar), dizia-se que havia “perdido” sua virgindade e não podia se tornar uma prostituta sagrada. Seu dote, obviamente, era muito menor do que o das Harlots.
As Harlots eram tão procuradas que, após este período de dedicação ao templo, havia muitos pretendentes que se apresentavam para pagar o dote destas garotas a fim de poder se casar com elas.
Curiosamente, apesar de todo o culto de sexo sagrado, Ishtar é reverenciada com o nome de “a virgem”, implicando com isso que seus poderes e sua criatividade não dependiam de nenhuma influência masculina. As mulheres detinham o poder e o controle. Para os gregos, era conhecida como Afrodite ou Vênus (para os romanos).
A partir do Código de Hamurabi, em aproximadamente 1750 AC, tudo isso mudou. A mulher passou a necessitar da permissão de seu marido ou pai para tudo, o poder das sacerdotisas foi massacrado e Innana e Ishtar perderam muito do prestígio que possuíam, tornando-se divindades menores e, posteriormente, demônios da luxúria. Muitos dos templos, para não serem fechados por ordem dos governantes, precisaram forjar casamentos falsos para que pudessem continuar funcionando, mas as mulheres passaram a ter de obedecer a estes maridos, o que acabou dando origem aos primeiros “cafetões”. Em menos de 100 anos, os Templos de Prazer acabaram se tornando algo muito mais parecido com o que temos hoje, com o afastamento da ritualística e apenas a troca de moedas por sexo (geralmente para as mãos do homem que controlava estes grupos). A adoção de escravas para suprir as necessidades dos homens e a degradação do valor das mulheres acabou jogando estes locais para a margem da sociedade, onde estão até os dias de hoje, infelizmente.
Enquanto isso, no mundo dos machos…
Conforme estávamos discutindo, o Culto Solar era composto apenas por homens e girava em torno do uso da magia para expandir as habilidades de batalha, capacidade de raciocínio matemático, engenharia, construções utilizando a geometria sagrada, táticas de combate e filosofia.
Na medida do possível, eles tentavam proteger as sacerdotisas, mas o próprio fato de não haverem mulheres nos exércitos e as Ordens serem quase totalitariamente militares tornava tudo muito complicado. As Ordens lunares tornaram-se secretas, abrigadas entre os celtas e romanos e bem longe das garras judaico-cristãs. Já as solares haviam adquirido um poder sem precedentes.
rituais paganismo Ocultismo magia sexual kundalini Chakras Bruxaria  Bruxaria, Paganismo e Magia Sexual – parte IISuas características ocultistas principais estavam no posicionamento e construção de obeliscos nas Linhas de Ley para marcar os principais locais de rituais e conectar outros monumentos nestas linhas invisíveis. Estes monumentos servem para ajudar a ajustar a Terra para permitir melhores colheitas, paz, harmonia e prosperidade nas regiões ao seu redor. Um Obelisco representa acima de tudo um Raio de Sol Petrificado (isso é bem óbvio, mas é uma coisa que as pessoas nunca param para pensar… ) que cai sobre a terra em um ponto específico.
Uma segunda característica era muito importante dentro dos cultos solares, que era a iniciação de seus principais guerreiros e líderes. Como eu havia dito na outra postagem, esta iniciação dos comandantes era feita enviando-o para algum lugar bastante inóspito armado apenas com uma adaga e esperava-se que ele não apenas sobrevivesse como trouxesse uma prova de suas capacidades de caçador.
Esta prova era a pele do animal (um lobo, urso ou veado). Nos celtas, bretões e druidas, o mais tradicional eram os gamos ou alces, que o iniciado precisava também remover os chifres e traze-los presos em sua cabeça. A capa vermelha do rei simboliza a pele coberta de sangue do animal. As capas dos soldados romanos, dos exércitos de Esparta e dos guerreiros celtas (além das bandeiras nazistas) simbolizavam este poder. Nos nórdicos, eles vestiam as peles de ursos (Bersekir, da onde se originou o termo Berserker para designar os guerreiros imbatíveis do norte que lutavam sob o efeito de poderosos rituais xamânicos).
Os chifres na cabeça representam o deus das florestas encarnando naquele sacerdote/guerreiro, o que seria de vital importância no Hieros Gamos, pois mostraria que aquele iniciado estava apto a incorporar o avatar de Cernunnos/Baco/Dionísio/Dummuz nos rituais.
rituais paganismo Ocultismo magia sexual kundalini Chakras Bruxaria  Bruxaria, Paganismo e Magia Sexual – parte IIEste hábito iniciático de usar os chifres na cabeça do principal sacerdote do Hieros Gamos é a origem da COROA (que nada mais é do que chifres simbolizados em metal nas pontas da coroa, somados às jóias da sabedoria divina). Estes chifres às vezes eram simbolizados por aquele “penacho” que vocês já devem ter visto nos legionários romanos, ou então pela coroa de louros dos gregos/imperadores.
Tropa de Elite, osso duro de roer…
Estas ordens solares (e conseqüentemente a maioria dos exércitos da Antigüidade) estavam organizadas da seguinte forma: Cada Centurião (também chamado Hekatontharchos em grego) comandava uma Centúria, que era formada por 100 soldados, organizados em 10 conturbernium, e comandada por um Decurion. Estas contubernia eram formadas por 8 combatentes (chamados de octeto) e mais 2 não combatentes (que cuidavam dos cavalos, comidas, armas e armaduras do octeto). Estes grupos eram tão unidos que acabavam sendo punidos ou recompensados como um todo. Caso algum dos membros de um contubernium cometesse algum ato de covardia ou traição, o grupo todo era escolhido para pagar. Neste caso, os dez soldados pegavam palitos de trigo e aquele que tirasse o menor palito era apedrejado pelos nove colegas. Desta prática, chamada Decimatio, surgiu o conceito do “puxar o palito menor” como sinônimo de má sorte, além da origem da palavra “dizimar” como matança.
Cada seis centúrias formavam uma Cohorte e o conjunto destas cohortes formava a Legião. O Grão Mestre destas ordens era chamado de Monos Archen (que significa em grego “Um comandante”). Monosarchen é a origem da palavra Monarca (Monarch em inglês).
Ok… mas o que esta história sobre exércitos romanos têm a ver com o Ocultismo? MUITO… Mas por enquanto, não vou contar o por quê. No momento, basta que vocês saibam que uma Cohorte nos tempos de Jesus era formada por 600 homens pesadamente armados.
rituais paganismo Ocultismo magia sexual kundalini Chakras Bruxaria  Bruxaria, Paganismo e Magia Sexual – parte II
Celtas, Druidas e a Bruxaria
Fora dos cultos altamente secretos das Bacantes ou dos soldados do Templo Solar, o culto à natureza continuava a todo vapor entre os celtas, druidas e bretões.
Os druidas traçam suas raízes em 300 AC. Os primeiros registros deles foram feitos pelo escriba grego Sotion de Alexandria no século II AC. Os pitagóricos os chamavam de Keltois (Aquele que domina o carvalho). Em latim eram chamados de druides (que tem a mesma origem da palavra Dríade, que significam as “ninfas da floresta” na mitologia grega, que nada mais eram que as sacerdotisas celtas que realizavam seus ritos nas florestas).
Do Egito, os ritos migraram tanto para a Grécia quanto para as Ilhas. Da mesma maneira que os sábios gregos construíam panteões, templos e obeliscos utilizando-se da geometria sagrada, os bretões e celtas erguiam círculos de pedra com a mesma função. Enquanto os gregos realizavam as Bacchanalias, os celtas e bretões realizavam os festivais de Solstícios e Equinócios, bem como as Festas de Beltane Samhain, onde eram celebrados os Hieros Gamos.
Nos ritos sagrados, o aspecto masculino da divindade era representado primariamente por dois deuses: Cernunnos e o “Green Man” (Homem Verde). Cernunnos é o Deus Chifrudo das florestas, representando todas as forças viris da natureza. Seus chifres podiam ser tanto de carneiro (com toda a simbologia fálica que já comentei) quanto de gamos (representando a iniciação dos sacerdotes dentro da tradição solar). De qualquer forma, era a personificação do poder masculino do universo. O Grande Deus. Era sempre representado vestindo peles de animais e muitas vezes com o casco de bode. Cernunnos possui as mesmas atribuições do deus Pan (grego) e do deus Pashupati (hindu). A título de curiosidade, o nome Pan vem do grego Paon, que significa “Pastor”… ah, a ironia…
rituais paganismo Ocultismo magia sexual kundalini Chakras Bruxaria  Bruxaria, Paganismo e Magia Sexual – parte II
Agora… deus chifrudo? com pés de bode? Aparecendo nos Sabbaths?… onde a gente já ouviu falar disso? Ah, claro! A Igreja Católica espalhou pelo mundo afora que esta era a imagem do diabo !!! do tinhoso !!! do inominável !!! do coisa-ruim !!! que todos deviam temer e fugir. Estes ataques virulentos continuam até os dias de hoje, não apenas pela Santa Igreja mas também por todas as suas descendentes evangélicas. Eles diziam (dizem) até que as bruxas transavam com bodes, com o demônio e com os outros sacerdotes durante os rituais “satânicos”.
rituais paganismo Ocultismo magia sexual kundalini Chakras Bruxaria  Bruxaria, Paganismo e Magia Sexual – parte IIOutra das personificações do Grande Deus era o chamado “Green man”. Uma imagem construída a partir da própria floresta, cujo rosto formado por plantas (ou um sacerdote com o corpo pintado de verde) representava a FERTILIDADE, o renascimento das plantas após o inverno…
Onde já vimos o culto a um deus verde? Bem… a resposta para esta charada está nas imagens da postagem passada.
Da parte da Deusa, as sacerdotisas representavam o poder feminino. Eu vou falar mais sobre os ritos quando falar especificamente sobre Bruxaria e as origens da Wicca. Por ora, basta dizermos que mulheres peladas dançando ao luar associadas a livres pensadores não agradavam em nada ao controle da Igreja e, desta forma, a nudez e o sexo foram automaticamente associados ao PECADO (até os dias de hoje).
Devemos grande parte disto a um babaca chamado Santo Agostinho, que por volta de 400 DC reescreveu a gênesis associando a expulsão de Adão e Eva do Paraíso ao sexo e ao tal do “pecado original”.
A partir de então, bruxaria foi associada ao satanismo e qualquer desculpa era uma desculpa para mandar estas pessoas para a fogueira, e assim tem sido até os dias de hoje.
O Carnaval
Com a perseguição religiosa, os Hieros Gamos passaram a ser celebrados disfarçados de bailes de máscaras, também conhecidos como Carnavais. A origem do Carnaval remonta das Saturnálias, que eram festas romanas em honra ao deus Saturno, organizadas entre 23 de Dezembro e 6 de Janeiro, regadas a muito sexo, danças, sacrifícios aos deuses e troca de presentes entre as pessoas (Saturnalia et sigillaricia, que deu origem às trocas de presentes no natal). Para não coincidir com as festividades de Solis Invictus, os romanos acabaram jogando esta data mais e mais para a frente no calendário até chegar a janeiro/fevereiro.
rituais paganismo Ocultismo magia sexual kundalini Chakras Bruxaria  Bruxaria, Paganismo e Magia Sexual – parte IIA origem do nome Carnaval vem de “Carrus Navalis” (Carro Naval) simbolizando a barca de Apolo que era levada através das multidões nas ruas. Esta barca, desnecessário dizer, era a versão romana da Barca de Caronte, que por sua vez, era a versão grega da Arca da Aliança, que era a versão judaica da Barca de Ísis.
As máscaras de carnaval são versões das máscaras dos deuses egípcios nos rituais que eu mencionei aqui. Desta maneira, os sacerdotes dos deuses antigos (agora já totalmente escondidos em sociedades secretas) podiam se reunir em Bailes de Máscaras e, longe dos olhares da Igreja, realizar seus rituais em paz.
Ou seja… da próxima vez que você assistir um desfile de carnaval na televisão, lembre-se que tudo aquilo começou com as pirâmides da Atlântida e as iniciações dos Faraós… (dá vontade de chorar… ).
rituais paganismo Ocultismo magia sexual kundalini Chakras Bruxaria  Bruxaria, Paganismo e Magia Sexual – parte II
Magia sexual homossexual
Para finalizar, sinto dizer que não existem rituais sexuais homossexuais, por uma razão que, se vocês acompanharam estes textos desde o capítulo dos chakras, deve estar evidente. Todo o fluxo de energias sexuais, do tantra ao Hieros Gamos, opera na diferença energética entre os chakras masculinos e femininos, como uma bateria eletromagnética onde os chakras de cada participante fazem as vezes de pólos positivos e negativos. No caso de APENAS pessoas do mesmo sexo (isso não vale, por exemplo, se estiverem duas mulheres e um homem ou dois homens e uma mulher em um ritual tântrico) esta conexão não funciona. É como tentar fazer uma bateria com dois pólos positivos ou negativos.
As mulheres possuem uma vantagem sobre os homens neste aspecto. Durante a magia, a utilização de fluídos corporais potencializa os resultados do ritual. Em ordem de poder temos: a saliva, sêmen, líquidos vaginais, sangue e, finalmente, o mais poderoso de todos: o sangue menstrual (chamado Menstruum).
Por isso, determinados ritos femininos (as Bacantes, por exemplo) eram realizados em certas luas (e sabemos que quando muitas mulheres convivem juntas, os ciclos menstruais tendem a se alinhar). Desta maneira, as sacerdotisas estariam em seus períodos menstruais em determinados rituais e este “extra” compensa a presença de um homem.
rituais paganismo Ocultismo magia sexual kundalini Chakras Bruxaria  Bruxaria, Paganismo e Magia Sexual – parte IIJá para os homens, não há nada que se possa fazer.
Mas isto poderia ser contornado? Talvez… em teoria .Aleister Crowley foi um dos primeiros a estudar variações destes rituais para homossexuais masculinos, em 1874, chegando a inventar um 11º grau na OTO apenas dedicado a este tipo de magia (a OTO vai apenas até o grau 10). Oscar Wilde (foto ao lado),George Cecil Ives e Montague Summers tentaram alguma coisa semelhante em 1899, através de uma Ordem Secreta composta apenas de homossexuais chamada “Order of Chaeronea”, que durou pouco tempo.
Talvez apenas o Dumbleodore saiba a resposta…